Esta conversa começou em fevereiro de 2003, há apenas três anos. Numa roda de apresentações (circular como toda conversa que se pretende infinita). Na roda, a moça falou de corpo, falou de transas, falou de sexo, mas não era para seduzir o rapaz. Era só o começo de algo que nem sabia que viria, que talvez nem mesmo viesse. Era uma conversa, numa roda, sem segundas intenções, falou-se até sobre o mal-entendido que, às vezes, rondava outras conversas (pelas quais a moça se interessava em sua curiosidade científica). Era uma conversa amigável sobre formas de ampliar a possibilidade de se ter conversas amigáveis entre corpos desde já e sempre marcados pelo sexo e pela cor, entre aquelas pessoas que são "entendidas" e aquelas "que não estão entendendo nada"...
A conversa foi retomada algum tempo depois, e tomou uma nova configuração. Um novo ritmo, mais colorida. Bem decorada e com fundo musical. A conversa, infinita, tornou-se mais animada. Anima e animus num parlamento mais íntimo. Nesse parlamento, a conversa, conduzida sem pressa, fez uso de todos os meios (midia eletrônica, manuscrita e impressa- Embratel, Internet e Correios). Seguindo seu curso a conversa, como todo discurso, teve seus pontos de inflexão; no traço de seu caminho, teve ápices e elipses, vértices e vórtices, como todo redemoinho.
Rio perene que correu do litoral para dentro do continente, a conversa se manteve renovada em sua força, contrafeita à alternativa que estaria estabelecida em outras conversas: o silêncio de uma paz sem voz ou o grito vindo sempre da mesma garganta. Evitando a desculpa esfarrapada de que águas passadas não movem moinho, a água dessa conversa-mole enfrentou com disposição incansável o conformismo da pedra. Tornou-se uma conversa de águas frescas, passadas e vindouras, que movem e comovem, palavras e promessas renovadas todo santo dia. Uma conversa que segue, infinita, "por esse Mar a fora, por essa Vida a dentro".

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