Wednesday, December 17, 2008

O amor e a Teoria dos Jogos

No dia em qe fui mais feliz
Eu vi um avião
Se espelhar no seu olhar até sumir.

De lá pra cá não sei.
Caminho ao longo do canal.
E faço longas cartas pra ninguém
E o inverno no Leblon é sempre glacial.

Há algo que jamais se esclareceu:
Onde foi exatamente que larguei
Naquele dia o leão que sempre calvaguei?

Lá mesmo esqueci que o destino
Sempre me quis só, sem amarras;
barco embriagado ao mar
(Adriana Clacanhoto e Antônio Cícero)





O amor é um desafio. O casamento (uma das várias formas de se nomear a vida a dois) pode ser um modo de vencer. Mas só haverá vitória se for vivido como jogo cooperativo, e não como competição.

Conosco tem sido assim. Como em todo jogo (o que implica comunicação), há desentendimentos, há equívocos. Mas procuramos encará-los como, de fato, são: lances ou movimentos que precisam ser corrigidos, e não faltas que precisam ser punidas, ou colocadas como revanche.

Temos encontrado, um na outra /uma no outro, possibilidades - nem sempre fáceis - de seguir o jogo, ainda que o tempo e as condições do campo, estejam contra nós... ainda que a torcida adversária vibre intensamente. Ainda que por um momento, vejamos no nervosismo ou na apatia da/o outro/a um movimento que beneficia o adversário, procuramos ser o técnico (e o intuitivo) de nossa própria equipe... numas horas, ouço de mim mesmo, como se o apelo viesse de você: "Calma, pessoal! Calma! Vamos esfriar a cabeça, olhao jogo..." ...noutras horas: "Vamos, gente! Acorda! Se mexe! faz alguma coisa"

O importante é sabermos que ambos queremos ganhar. E mais do que isso, ambos queremos que o/a outra/o também ganhe. Porque nos reconhecemos, um na vitória do outro; ambos na vitória de um...

O sorriso, a maior medalha; o abraço a condecoração;

Para você saber sobre meus sentimentos, uma poesia que fiz pensando exclusivamente em você

Meu coração, minha alma, meu suor, minha história,
minha mão, minha vida, minha vinda, minha memória...
todo teu, toda tua, todo teu, toda tua,
todo pulsa, toda vibra, todo verte, toda segue,
toda tua, toda tua, toda tua, toda tua
toda sua, toda seca, toda volta, toda vaga...

por você.

Que é toda em tudo inteira.
completa entre meus intervalos.
intermitente em minha duração.

Meta de todos os meus vícios (cura e satisfação)
essencial à minha existência (cuidado e contradição)
fatalidade de meus delírios; (ego, superego e lascidão)

Realidade para meus princípios, (imaginária e ilusão)
Menina dos meus colírios, (cegueira e supervisão)
Musa de toda obviedade e das rimas brancas.
(muito mais que inspiração)

Thursday, July 31, 2008

Esse errar que é sem fim, essa paixão tão gigante...

"Esse terreiro de anjos
Esse errar que é sem fim
Essa paixão tão gigante
Esse amor que é só Seu
(...)"




Ao que me consta, não conheço casal que possa contar tantas histórias como a que nós contamos um para o outro. Não falo só por me gabar. Antes, falo como quem faz uma confissão. Sem orgulho nem ilusão... sabemos que a intimidade de amantes que mantemos de olho, boca, ouvido e coração exige esforço, sem ser competição. Exige muitos cuidados e alguma concessão - sem, contudo, se perder em reles submissão...

Mantém-se entre nós o reconhecimeto da máxima "Amor, há dor; Amores, ah dores!".

A conversa que mantemos, em torno de nós e que nos mantem atento um à outra e uma ao outro... em reciprocidade, exige um esforço constante de autocrítica e autocompreensão. Não implica culpar, portanto não cabe perdão.

Só cabe, no espaço que há entre nós, conversação...

Há momentos em que a conversa ganha um ritmo diferente, mais intenso e dolorido... nesses momentos, ela evidencia a necessidade de mudanças no rumo da prosa.

Às vezes, pra continuar conversando é preciso mudar de assunto. Noutras vezes é justamente evitar o assunto que prejudica a conversa. O grande desafio é distinguir um momento de outro.
Pra isso, a única solução
é prestar atenção em nosso interlocutor...
tentar ouvir sua dor.... para com o rumo certo da conversa,
fortalecer nosso amor.