Friday, November 10, 2006

O trevo de quatro folhas e a flor de cinco pétalas

Vivo esperando e procurando/
um trevo no meu jardim/
Quatro folhinhas nascidas ao léu/
Me levariam pertinho do céu/
Feliz eu seria e o trevo faria/
Que ela voltasse pra mim/
Vivo esperando e procurando/
Um trevo no meu jar...dim.
(Trevo de quatro folhas - Nara Leão)


A vida é muito engraçada... a gente às vezes perde tanto tempo procurando algo que promete ser sublime, maravilhoso, fantástico, sensacional!
Algo que os outros dizem ser, Supercalifragilistiexipialidoso. E nessa busca corremos o risco de deixar de lado coisas, que não prometem, mas de fato são sublimes e deliciosas... vejamos o exemplo do trevo de quatro folhas. Quem nunca desejou encontrar um? Eu mesmo
durante um bom tempo fiquei revirando meu jardim, onde nascem muitos trevos de três folhas, como são a maioria do trevos (talvez por isso se chamem trê-vo e não quádrivo). Revirando, catando, olhando esperançoso entre as tríades de folhas verdes, para ver se encontrava algum quadrifolhada, mas nada...

Mas, só então eu me dei conta do que estava deixando passar. Nessa busca por um objeto mitológico eu estava deixando de perceber algo que os trevos de três folhas me ofereciam diariamente desde o final de setembro: essas flores de cinco pétalas. Quem precisa de trevos de quatro folhas, quando tem, disponível aos olhos, no jardim onde conversa, flores de trevos de cinco pétalas?
Até porque "ela" já está comigo...

Monday, November 06, 2006

A Máquina do Tempo

Todos nós temos nossas
próprias Máquinas do Tempo:
o que nos leva ao passado é a Memória,
o que nos leva ao futuro é o Sonho.

O bom da conversa é que, quanto mais gente pra dividir, maior ela fica. E quanto maior a conversa, mais infinita.

Ultimamente, só temos conversado entre nós. Isso dificulta algumas coisas, mas... tem suas compensações. Podemos lembrar, nós dois, as conversas que tivemos a três ou quatro. Podemos lembrar o tempo que passamos juntos planejando o tempo em que nos veríamos de novo.

Ser amor ou amizade não é um caso de identidade, é uma questão de linguagem (é preciso conversar). Ter amor ou amizade não é uma questão de possuir, mas de estar disponível, além de qualquer tempo ou espaço. Memória ou sonho, as imagens não estão no pigmento do papel, no fósforo da tela, nem nos bites do arquivo em JPG, nem nas descargas de sódio e potássio de nossos neurônios; as imagens estão em nós. Nos nós que seguram a rede, a trama de nossa amizade, de nosso amor, de nossa conversa infinita.