A Conversa Infinita
um diário de si, um hipomnemata pós-moderno, espaço virtual de atualização de um discurso diversitário, pista larga para o trânsito de um self autocrítico, subjetividade casual e de um casal.
Monday, June 24, 2019
Se é verdade que escrever renova os ânimos, é verdade também que quando escrevemos nos afastamos um pouco da vida em seu aspecto mais concreto... já que escrever é abstrair (nossos autores preferidos nos lembrarão a esse propósito que "traduzir é trair"). Talvez por isso que o amor seja mais fiel quando expresso num beijo de língua. Sem tradução. Com o que há em baixo sendo igual ao que há é cima. Nossa alquimia perfeita... um quatro ao quadrado. um dezesseis cabalístico.
E quando tudo começou. Lá por volta de 2003... nenhum de nós sabia até onde essa conversa poderia chegar...
Wednesday, March 26, 2014
Uma carta de amor para Joana, a destinatária de mim

Friday, August 13, 2010
Algum tempo depois...
Um passo pra frente,
e você já não está mais no mesmo lugar.
...
E com o bucho mais cheio começei a pensar
Que eu me organizando posso desorganizar
Que eu desorganizando posso me organizar
Que eu me organizando posso desorganizar
A conversa infinita, essa forma de amar que nós dois, multiplicados; duplicados e elevados ao quadrado, continuamos. Nosso amor, essa forma de conversar...só sabe existir se for pra continuar...
Tanta coisa aconteceu... tanto continua acontecendo.
A conversa, essa rede de intimidade ainda estamos tecendo.. essa colcha de retalho, patchwork, que não carece de agulha - estamos ainda cosendo.
Deixamos pra trás o tempo bom - que não volta nunca mais - de uma preguiça gostosa, quando havia noites, "gatos" e quintais... deixamos pra trás outros tempos.
Deixamos a antiga casa, e ela nos deixou. Encontramos um outro lugar para continuarmos nossas conversas. Não sem antes nos colocarmos mais perto um do outro... não sem antes olhar-mo-nos nos olhos e beijar-mo-nos nas bocas.Pensamos muito, em voz alta, e com nossos próprios botões. Botamos pra fora nossos medos, nossas preocupações. Assumimos um risco por nossa conta. Contamos um com o outro e nos defrontamos com a aventura de viver um passo adiante..
Wednesday, December 17, 2008
O amor e a Teoria dos Jogos
Eu vi um avião
Se espelhar no seu olhar até sumir.
De lá pra cá não sei.
Caminho ao longo do canal.
E faço longas cartas pra ninguém
E o inverno no Leblon é sempre glacial.
Há algo que jamais se esclareceu:
Onde foi exatamente que larguei
Naquele dia o leão que sempre calvaguei?
Lá mesmo esqueci que o destino
Sempre me quis só, sem amarras;
O amor é um desafio. O casamento (uma das várias formas de se nomear a vida a dois) pode ser um modo de vencer. Mas só haverá vitória se for vivido como jogo cooperativo, e não como competição.
Temos encontrado, um na outra /uma no outro, possibilidades - nem sempre fáceis - de seguir o jogo, ainda que o tempo e as condições do campo, estejam contra nós... ainda que a torcida adversária vibre intensamente. Ainda que por um momento, vejamos no nervosismo ou na apatia da/o outro/a um movimento que beneficia o adversário, procuramos ser o técnico (e o intuitivo) de nossa própria equipe... numas horas, ouço de mim mesmo, como se o apelo viesse de você: "Calma, pessoal! Calma! Vamos esfriar a cabeça, olhao jogo..." ...noutras horas: "Vamos, gente! Acorda! Se mexe! faz alguma coisa"
O importante é sabermos que ambos queremos ganhar. E mais do que isso, ambos queremos que o/a outra/o também ganhe. Porque nos reconhecemos, um na vitória do outro; ambos na vitória de um...
O sorriso, a maior medalha; o abraço a condecoração;
Para você saber sobre meus sentimentos, uma poesia que fiz pensando exclusivamente em você
Meu coração, minha alma, meu suor, minha história,
minha mão, minha vida, minha vinda, minha memória...
todo teu, toda tua, todo teu, toda tua,
todo pulsa, toda vibra, todo verte, toda segue,
toda tua, toda tua, toda tua, toda tua
toda sua, toda seca, toda volta, toda vaga...
por você.
Que é toda em tudo inteira.
completa entre meus intervalos.
intermitente em minha duração.
Meta de todos os meus vícios (cura e satisfação)
essencial à minha existência (cuidado e contradição)
fatalidade de meus delírios; (ego, superego e lascidão)
Realidade para meus princípios, (imaginária e ilusão)
Menina dos meus colírios, (cegueira e supervisão)
Musa de toda obviedade e das rimas brancas.
(muito mais que inspiração)
Thursday, July 31, 2008
Esse errar que é sem fim, essa paixão tão gigante...
Esse errar que é sem fim
Essa paixão tão gigante
Esse amor que é só Seu
(...)"
Mantém-se entre nós o reconhecimeto da máxima "Amor, há dor; Amores, ah dores!".
A conversa que mantemos, em torno de nós e que nos mantem atento um à outra e uma ao outro... em reciprocidade, exige um esforço constante de autocrítica e autocompreensão. Não implica culpar, portanto não cabe perdão.
Só cabe, no espaço que há entre nós, conversação...
Há momentos em que a conversa ganha um ritmo diferente, mais intenso e dolorido... nesses momentos, ela evidencia a necessidade de mudanças no rumo da prosa.
Às vezes, pra continuar conversando é preciso mudar de assunto. Noutras vezes é justamente evitar o assunto que prejudica a conversa. O grande desafio é distinguir um momento de outro.
Pra isso, a única solução
é prestar atenção em nosso interlocutor...
tentar ouvir sua dor.... para com o rumo certo da conversa,
fortalecer nosso amor.
Friday, November 10, 2006
O trevo de quatro folhas e a flor de cinco pétalas
um trevo no meu jardim/
Quatro folhinhas nascidas ao léu/
Me levariam pertinho do céu/
Feliz eu seria e o trevo faria/
Que ela voltasse pra mim/
Vivo esperando e procurando/
Um trevo no meu jar...dim.
(Trevo de quatro folhas - Nara Leão)
A vida é muito engraçada... a gente às vezes perde tanto tempo procurando algo que promete ser sublime, maravilhoso, fantástico, sensacional!Algo que os outros dizem ser, Supercalifragilistiexipialidoso. E nessa busca corremos o risco de deixar de lado coisas, que não prometem, mas de fato são sublimes e deliciosas... vejamos o exemplo do trevo de quatro folhas. Quem nunca desejou encontrar um? Eu mesmo
Mas, só então eu me dei conta do que estava deixando passar. Nessa busca por um objeto mitológico eu estava deixando de perceber algo que os trevos de três folhas me ofereciam diariamente desde o final de setembro: essas flores de cinco pétalas. Quem precisa de trevos de quatro folhas, quando tem, disponível aos olhos, no jardim onde conversa, flores de trevos de cinco pétalas?
Até porque "ela" já está comigo...
Monday, November 06, 2006
A Máquina do Tempo
Todos nós temos nossaspróprias Máquinas do Tempo:
o que nos leva ao passado é a Memória,
o que nos leva ao futuro é o Sonho.
Ultimamente, só temos conversado entre nós. Isso dificulta algumas coisas, mas... tem suas compensações. Podemos lembrar, nós dois, as conversas que tivemos a três ou quatro. Podemos lembrar o tempo que passamos juntos planejando o tempo em que nos veríamos de novo.
Ser amor ou amizade não é um caso de identidade, é uma questão de linguagem (é preciso conversar). Ter amor ou amizade não é uma questão de possuir, mas de estar disponível, além de qualquer tempo ou espaço. Memória ou sonho, as imagens não estão no pigmento do papel, no fósforo da tela, nem nos bites do arquivo em JPG, nem nas descargas de sódio e potássio de nossos neurônios; as imagens estão em nós. Nos nós que seguram a rede, a trama de nossa amizade, de nosso amor, de nossa conversa infinita.

