Monday, June 24, 2019

São 16 anos. E apenas 10 postagens... parece que passamos mais tempo juntos do que escrevemos palavras virtuais em blogs secretos... Ainda bem!
Se é verdade que escrever renova os ânimos, é verdade também que quando escrevemos nos afastamos um pouco da vida em seu aspecto mais concreto... já que escrever é abstrair (nossos autores preferidos nos lembrarão a esse propósito que "traduzir é trair"). Talvez por isso que o amor seja mais fiel quando expresso num beijo de língua. Sem tradução. Com o que há em baixo sendo igual ao que há é  cima. Nossa alquimia perfeita... um quatro ao quadrado. um dezesseis cabalístico.
E quando tudo começou.  Lá por volta de 2003... nenhum de nós sabia até onde essa conversa poderia chegar...

Wednesday, March 26, 2014

Uma carta de amor para Joana, a destinatária de mim



Eu queria escrever uma carta de amor para Joana. Uma carta de amor dessas que amante nenhum jamais conseguiu escrever; uma carta de amor dessas que quando já foi escrita, nenhum ser amado chegou a ler. Eu queria escrever uma carta de amor para Joana, dessas tão intensas que uma vez escrita pelo amante e lida pela pessoa amada, jamais conseguiu ser guardada ou esquecida. Uma carta de amor tão intensa que depois de recebida precisasse ser vivida; trazida consigo, aberta mil vezes e mil vezes relida.

Se eu, com meu desejo de escrever uma carta de amor para Joana, chegasse a escrever essa carta, ela não seria uma carta ridícula, como disse o poeta que são todas as cartas de amor. Eu iria escrever para Joana uma carta de amor cheia de dedos, tendo em cada dedo mil carícias. Por outro lado, se eu escrevesse essa carta de amor para Joana como eu desejo, ela seria uma carta cheia de intimidades; íntimas verdades. No verso de cada página um beijo.

Não sendo ridícula, a carta de amor que eu teria escrito para Joana, não buscaria clichê; não seria apelativa nem tão pouco, démodé. Seria uma carta curta. Um corte de punhal, que fere como quem furta. De leve, tão breve que não passaria do preâmbulo, mas que diria tudo de modo tão claro. Uma carta tão plena de significado e tão satisfatória, que não precisaria ser concluída.  Se eu escrevesse essa carta de amor para Joana como eu desejo, ela, a carta, já no prelúdio, seria um ato de fala feliz para sempre.

A carta de amor que eu quero escrever para Joana levou onze anos para ser pensada. No entanto, desde o princípio ela teria sido recitada, no impulso do primeiro encontro, na vertigem do primeiro sexo, no silêncio do primeiro telefonema, nas reticências que preencheram de riscos e possibilidades todas as mensagens iniciais. Nos primeiros selos dos primeiros cartões postais. A carta de amor que eu vou escrever esteve sempre lá, desde nunca mais.  A minha carta de amor para Joana será cheia de vírgulas, por ênfase ou enumeração. Mas, não respeitará toda regra de pontuação. Poderá ser lida no quintal, na rodoviária, no aeroporto, no banco do carro, no pedal da bicicleta, no brinquedo das meninas, durante o trabalho de parto. Nos eventos e nas rotinas. Nem sempre com métrica e rimas

A minha carta de amor para Joana, terá sido escrita, antes de tudo, no fôlego do primeiro beijo, no pátio de São Pedro, numa Terça Negra. Além de tudo, a carta de amor terá sido uma promessa descumprida, uma jura quebrada, um ato imperdoável e desde antes perdoado. A minha carta de amor é também um ato de amor para sempre negado.

A carta de amor que eu escrevi pra Joana, se desprendeu do passado, passou por nós e ficou aguardando tranquila a nossa chegada ao futuro. Era uma carta de amor, sem medos, com destinatário certo, que se lançava no escuro.

A carta de amor que eu escrevi para Joana era uma carta de amor mais verdadeira que o amor de onze mil amantes, uma carta que nenhum deles jamais escreveu antes.

A minha carta de amor para Joana, por ser dessas cartas que amante nenhum jamais escreveu, era um tanto repetitiva e o teor da carta era certamente alcoólico. Não para que ela fosse lida, gota à gota, mas para que ela fosse, letra por letra, absorvida.  A de amor que eu escrevo para Joana era, sempre, uma carta que foi sem fim. está para sempre no começo, talvez entre um não e um sim, e me lembra todo dia (como um calendário) que neste amor lendário sou o seu destinatário e Joana é destinatária de mim.  ...

 

Escrito em Goiânia, 26 de março de 2014 (inscrito desde 26 de março de 2003) 

Friday, August 13, 2010

Algum tempo depois...

Nossa história até o momento (um passo adiante):

Um passo pra frente, 
e você já não está mais no mesmo lugar.
...
[...] Com a barriga vazia não consigo dormir”
E com o bucho mais cheio começei a pensar
Que eu me organizando posso desorganizar
Que eu desorganizando posso me organizar
Que eu me organizando posso desorganizar
João Higino Filho


A conversa infinita, essa forma de amar que nós dois, multiplicados; duplicados e elevados ao quadrado, continuamos. Nosso amor, essa forma de conversar...só sabe existir se for pra continuar...
Tanta coisa aconteceu... tanto continua acontecendo.


A conversa, essa rede de intimidade ainda estamos tecendo.. essa colcha de retalho, patchwork, que não carece de agulha - estamos ainda cosendo.



 Deixamos pra trás o tempo bom - que não volta nunca mais - de uma preguiça gostosa, quando havia noites, "gatos" e quintais... deixamos pra trás outros tempos.

Deixamos a antiga casa, e ela nos deixou. Encontramos um outro lugar para continuarmos nossas conversas. Não sem antes nos colocarmos mais perto um do outro... não sem antes olhar-mo-nos nos olhos e beijar-mo-nos nas bocas.

Pensamos muito, em voz alta, e com nossos próprios botões. Botamos pra fora nossos medos, nossas preocupações. Assumimos um risco por nossa conta. Contamos um com o outro e nos defrontamos com a aventura de viver um passo adiante..

Wednesday, December 17, 2008

O amor e a Teoria dos Jogos

No dia em qe fui mais feliz
Eu vi um avião
Se espelhar no seu olhar até sumir.

De lá pra cá não sei.
Caminho ao longo do canal.
E faço longas cartas pra ninguém
E o inverno no Leblon é sempre glacial.

Há algo que jamais se esclareceu:
Onde foi exatamente que larguei
Naquele dia o leão que sempre calvaguei?

Lá mesmo esqueci que o destino
Sempre me quis só, sem amarras;
barco embriagado ao mar
(Adriana Clacanhoto e Antônio Cícero)





O amor é um desafio. O casamento (uma das várias formas de se nomear a vida a dois) pode ser um modo de vencer. Mas só haverá vitória se for vivido como jogo cooperativo, e não como competição.

Conosco tem sido assim. Como em todo jogo (o que implica comunicação), há desentendimentos, há equívocos. Mas procuramos encará-los como, de fato, são: lances ou movimentos que precisam ser corrigidos, e não faltas que precisam ser punidas, ou colocadas como revanche.

Temos encontrado, um na outra /uma no outro, possibilidades - nem sempre fáceis - de seguir o jogo, ainda que o tempo e as condições do campo, estejam contra nós... ainda que a torcida adversária vibre intensamente. Ainda que por um momento, vejamos no nervosismo ou na apatia da/o outro/a um movimento que beneficia o adversário, procuramos ser o técnico (e o intuitivo) de nossa própria equipe... numas horas, ouço de mim mesmo, como se o apelo viesse de você: "Calma, pessoal! Calma! Vamos esfriar a cabeça, olhao jogo..." ...noutras horas: "Vamos, gente! Acorda! Se mexe! faz alguma coisa"

O importante é sabermos que ambos queremos ganhar. E mais do que isso, ambos queremos que o/a outra/o também ganhe. Porque nos reconhecemos, um na vitória do outro; ambos na vitória de um...

O sorriso, a maior medalha; o abraço a condecoração;

Para você saber sobre meus sentimentos, uma poesia que fiz pensando exclusivamente em você

Meu coração, minha alma, meu suor, minha história,
minha mão, minha vida, minha vinda, minha memória...
todo teu, toda tua, todo teu, toda tua,
todo pulsa, toda vibra, todo verte, toda segue,
toda tua, toda tua, toda tua, toda tua
toda sua, toda seca, toda volta, toda vaga...

por você.

Que é toda em tudo inteira.
completa entre meus intervalos.
intermitente em minha duração.

Meta de todos os meus vícios (cura e satisfação)
essencial à minha existência (cuidado e contradição)
fatalidade de meus delírios; (ego, superego e lascidão)

Realidade para meus princípios, (imaginária e ilusão)
Menina dos meus colírios, (cegueira e supervisão)
Musa de toda obviedade e das rimas brancas.
(muito mais que inspiração)

Thursday, July 31, 2008

Esse errar que é sem fim, essa paixão tão gigante...

"Esse terreiro de anjos
Esse errar que é sem fim
Essa paixão tão gigante
Esse amor que é só Seu
(...)"




Ao que me consta, não conheço casal que possa contar tantas histórias como a que nós contamos um para o outro. Não falo só por me gabar. Antes, falo como quem faz uma confissão. Sem orgulho nem ilusão... sabemos que a intimidade de amantes que mantemos de olho, boca, ouvido e coração exige esforço, sem ser competição. Exige muitos cuidados e alguma concessão - sem, contudo, se perder em reles submissão...

Mantém-se entre nós o reconhecimeto da máxima "Amor, há dor; Amores, ah dores!".

A conversa que mantemos, em torno de nós e que nos mantem atento um à outra e uma ao outro... em reciprocidade, exige um esforço constante de autocrítica e autocompreensão. Não implica culpar, portanto não cabe perdão.

Só cabe, no espaço que há entre nós, conversação...

Há momentos em que a conversa ganha um ritmo diferente, mais intenso e dolorido... nesses momentos, ela evidencia a necessidade de mudanças no rumo da prosa.

Às vezes, pra continuar conversando é preciso mudar de assunto. Noutras vezes é justamente evitar o assunto que prejudica a conversa. O grande desafio é distinguir um momento de outro.
Pra isso, a única solução
é prestar atenção em nosso interlocutor...
tentar ouvir sua dor.... para com o rumo certo da conversa,
fortalecer nosso amor.

Friday, November 10, 2006

O trevo de quatro folhas e a flor de cinco pétalas

Vivo esperando e procurando/
um trevo no meu jardim/
Quatro folhinhas nascidas ao léu/
Me levariam pertinho do céu/
Feliz eu seria e o trevo faria/
Que ela voltasse pra mim/
Vivo esperando e procurando/
Um trevo no meu jar...dim.
(Trevo de quatro folhas - Nara Leão)


A vida é muito engraçada... a gente às vezes perde tanto tempo procurando algo que promete ser sublime, maravilhoso, fantástico, sensacional!
Algo que os outros dizem ser, Supercalifragilistiexipialidoso. E nessa busca corremos o risco de deixar de lado coisas, que não prometem, mas de fato são sublimes e deliciosas... vejamos o exemplo do trevo de quatro folhas. Quem nunca desejou encontrar um? Eu mesmo
durante um bom tempo fiquei revirando meu jardim, onde nascem muitos trevos de três folhas, como são a maioria do trevos (talvez por isso se chamem trê-vo e não quádrivo). Revirando, catando, olhando esperançoso entre as tríades de folhas verdes, para ver se encontrava algum quadrifolhada, mas nada...

Mas, só então eu me dei conta do que estava deixando passar. Nessa busca por um objeto mitológico eu estava deixando de perceber algo que os trevos de três folhas me ofereciam diariamente desde o final de setembro: essas flores de cinco pétalas. Quem precisa de trevos de quatro folhas, quando tem, disponível aos olhos, no jardim onde conversa, flores de trevos de cinco pétalas?
Até porque "ela" já está comigo...

Monday, November 06, 2006

A Máquina do Tempo

Todos nós temos nossas
próprias Máquinas do Tempo:
o que nos leva ao passado é a Memória,
o que nos leva ao futuro é o Sonho.

O bom da conversa é que, quanto mais gente pra dividir, maior ela fica. E quanto maior a conversa, mais infinita.

Ultimamente, só temos conversado entre nós. Isso dificulta algumas coisas, mas... tem suas compensações. Podemos lembrar, nós dois, as conversas que tivemos a três ou quatro. Podemos lembrar o tempo que passamos juntos planejando o tempo em que nos veríamos de novo.

Ser amor ou amizade não é um caso de identidade, é uma questão de linguagem (é preciso conversar). Ter amor ou amizade não é uma questão de possuir, mas de estar disponível, além de qualquer tempo ou espaço. Memória ou sonho, as imagens não estão no pigmento do papel, no fósforo da tela, nem nos bites do arquivo em JPG, nem nas descargas de sódio e potássio de nossos neurônios; as imagens estão em nós. Nos nós que seguram a rede, a trama de nossa amizade, de nosso amor, de nossa conversa infinita.